Thomas Was Alone [Sociedade dos Hipsters Mortos]

thomas hipsters mortos

Thomas was alone é um jogo produzido, como boa parte dos jogos indie de expressão, por um time diminuto. Na verdade, um time de uma pessoa, Mike Bithell, mais conhecido por não ter feito absolutamente nada. O jogo surgiu de uma versão menor, feita em um gamejam de 24 horas. Para quem não sabe, um gamejam é uma conferência de criadores de jogos onde eles tem um prazo curto para criar jogos com um tema específico (um bom exemplo de jogo fantástico que surgiu de um gamejam é o Super Hexagon). O jogo foi lançado inicialmente para PC e MAC, tendo sido parte inclusive de um Humble Bundle, e com um port para PS3/PSVita vindo logo depois. Este review foi feito sobre a versão para PSVita.

Visual

Uma das primeiras coisas que chama a atenção em TWA é o seu gráfico, ou melhor, a sua quase ausência de gráficos. Por razões estilísticas, todos os personagens do jogo são retângulos com uma única cor, nos mais variados formatos e com cores distintas, dando ao jogo um feeling muito similar ao do clássico (neologismo para velho) Adventure, do Atari 2600.

Esta imagem mostra toda a evolução dos videogames nestes últimos 30 anos.

Esta imagem mostra toda a evolução dos videogames nestes últimos 30 anos.

Apesar de alguns pequenos efeitos visuais aqui e ali, no geral a estética de Thomas Was Alone é bem simplista. E de propósito, já que ela serve bem ao propósito da história do jogo.

História

No jogo você começa jogando com Thomas, um retângulo que ganha consciência um dia e que vai em busca do sentido da vida neste mundo muito louco onde nada é o que parece. Ele e a sua turminha do barulho vão travar uma verdadeira guerra numa batalha que será um estour… SAI, SAI DE MIM, espírito de narrador da sessão da tarde!

Pelo menos saiu antes de dizer que armavam altas confusões.

Pelo menos saiu antes de dizer que armavam altas confusões.

Pois bem, Thomas ganha consciência e começa a se questionar sobre o mundo em que vive, enquanto segue adiante. E aí você me pergunta “Tio Maximus, como você sabe que é isso que está acontecendo, se os bichos são apenas quadrados coloridos?”. Eu explico: enquanto você joga, durante o jogo inteiro, uma voz vai narrando os acontecimentos do jogo, em um formato similar a como são contadas fábulas, dando todo o contexto da história. É graças à narração que a gente descobre que o retângulo vermelho se chama Thomas, e que ele se sente sozinho e é muito curioso, ou que Chris, o baixinho meio inútil, se sente inferiorizado pelos outros e por isso é rancoroso, e assim por diante. Conforme a história vai avançando, descobrimos que Thomas e os outros (copyright Masami Kurumada) são inteligências artificiais dentro de um sistema, onde elas tem que descobrir o sentido da vida, universo e tudo mais (dica:42) antes que uma nuvem de pixels os arranque dali.

Chris (o chato), fulana (a dada) e a nuvem assassina (com certeza o Stephen King já escreveu algo a respeito

Chris (o chato), Laura (a dada) e a nuvem assassina (com certeza o Stephen King já escreveu algo a respeito)

Uma das partes mais interessantes de TWA são os seus diversos personagens, suas personalidades e o jeito que estes seres interagem entre si. Durante vários momentos do jogo, você vê a história do ponto de vista destes personagens diferentes, ajudando a entender melhor a história toda. Os principais são:

thomasThomas – Retângulo vermelho. Meio inocente, curioso e sempre esperando o melhor dos outros, Thomas é o nosso primeiro protagonista. Apesar do jogo ter o nome dele no título, muitos outros personagens também são destaque.

chrisChris – Quadrado pequeno laranja, enfezado, pessimista, com tendências de se sentir inferiorizado pelos outros que são mais altos e pulam mais longe, tudo que ele quer é ficar sozinho (até que aparece uma garota…)

johnJohn – Alto, ágil, magro e convencido (além de ser um retângulo amarelo), John, além de pular muito mais alto que os demais, se sente superior a eles, e acha que tem o dever de usar suas habilidades para ajudar os mais fracos, especialmente se estes estiverem olhando.

claireClaire – Grande e lenta, inicialmente Claire se considera inferior à tudo. Porém, ao cair na água ela descobre seu superpoder: ela pode flutuar. Então Claire usa seus poderes para ajudar os desafortunados, como todo super herói deve fazer.

lauraLaura – Longa e pulando muito baixo, Laura sozinha não consegue muito, o que afeta sua auto-estima. Porém, quando alguma outra inteligência artificial salta sobre ela, ela acaba servindo como um trampolim, levando os outros a saltarem muito mais alto! Isso a ajuda bastante a encontrar companheiros, pena que eles sempre acabam sumindo depois que uma certa núvem aparece…

Existem ainda outros personagens, mas estes deixo para vocês mesmo.

Gameplay

Uma coisa interessante que você pode ter reparado (ou não, se você for um dos milhares de leitores que nós temos que vêm aqui procurando por hentais de shadow of the colossus ou lutadores de sumor) é que até agora falei pouco sobre o gameplay do jogo. Há uma boa razão para isso: O gameplay de Thomas Was Alone pode ser resumido em um só neologismo: MEH!

Parece muito mais legal do que realmente é.

Parece muito mais legal do que realmente é.

Explicando brevemente: Em TWA, você controla vários personagens na mesma fase, um de cada vez, e se aproveita das características de cada um para “solucionar” a fase: John é alto e consegue alcançar lugares mais altos, Claire é grande e lenta, porém flutua na água, Laura serve como trampolim para os outros e o Chris não serve para nada.

Foda-se Chris.

Foda-se Chris.

À primeira vista, as características únicas de cada personagem poderiam levar a estágios e puzzles extremamente interessantes. Porém, o uso que TWA faz desses elementos é bem rasa. O que eu esperava ao jogar era que, devido as inúmeras habilidades únicas, eu tivesse que fritar meu cérebro para resolver os puzzles. Contudo, em TWA, isso não é problema: apenas olhando para o cenário e vendo quais personagens eu podia saber exatamente como resolve-lo!

Só de olhar para esta imagem, você já resolveu o puzzle.

Só de olhar para esta imagem, você já resolveu o puzzle.

A verdade é que, em qualquer jogo de plataforma com “vidas infinitas”, o objetivo padrão das fases é, primeiro, conseguir entender como chegar ao destino, depois ter a habilidade necessária para seguir o plano. Por exemplo, mesmo que você jogue Braid ignorando totalmente a história e as discussões filosóficas (e fazendo Johnatan Blow chorar lágrimas negras da sociedade/como um ninja silencioso no processo), você ainda estará jogando um puzzle-plataformer de alta qualidade, com quebra cabeças que realmente te fazem sentir como um cara muito inteligente quando soluciona.

Digdin.

Digdin.

Isso não ocorre em Thomas Was Alone. Apesar dele possuir mecânicas interessantes, estas mecânicas se perdem em níveis longos e pouco inspirados. A verdade é que no tempo todo que joguei, me senti triste pois, apesar da história muito interessante e das mecânicas com potencial, as fases eram todas banais e óbvias. Seria como se, ao fazer Portal, a Valve resolvesse trocar seu time de designers de estágios por aquele sobrinho que manja muito de HTML.

Análogo ao design de fases de TWA.

Análogo ao design de fases de TWA.

Cada mundo é baseado em uma habilidade/conjunto de personagens interagindo entre si, e é dividido em 9 estágios. O problema é que, lá pelo terceiro estágio, a inspiração de como fazer os estágios ficarem desafiantes já foi gasta, e eles simplesmente se tornam cada vez mais longos e tediosos, porém não mais difíceis. A verdade é que, mesmo com a história e principalmente os personagens sendo muito interessantes, lá pelo sexto ou sétimo mundo não aguentava mais a jogabilidade repetitiva e sem graça. Me senti jogando Matt Hazard novamente.

E quem jogou sabe que mesmo sendo muito engraçado tem hora que fica difícil continuar.

E quem jogou sabe que mesmo sendo muito engraçado tem hora que fica difícil continuar.

Finalizando, Thomas Was Alone é mais um jogo no crescente segmento de jogos indies de plataforma com mecânicas interessantes e um foco maior na história. Porém, ao ser comparado com os grandes nomes como Braid e Limbo, fica a certeza de que, apesar da história interessante, o design de fases deixa muito a desejar.

No fim descobri porque o Thomas estava sozinho: Porque ele é meio chato.

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Sobre Maximus Decimus

Um carinha do barulho que vai armar altas confusões que até deus duvida nesse site que é um estouro.
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4 respostas para Thomas Was Alone [Sociedade dos Hipsters Mortos]

  1. Pingback: Castelo #12 – Melhores e Piores de 2013! [Podcast Em Outro Castelo] | Em Outro Castelo

  2. Cara, eu gostei até do jogo. Não é um daqueles que a gente joga e rejoga, mas até que foi divertido e até recomendei a quem não curte muito jogos indies. Para um jogo onde uma pessoa teve a maior participação, acho que vale a pena. Só que meu erro foi ter comprado umas duas semanas antes da Steam Summer Sale.

    • Então, o jogo não é de todo ruim, mas é desperdiçado. O potencial da mecânica de diversos personagens poderia ser muito melhor, e quando comparado aos outros jogos indie de puzzle plataforma de sucesso recentes (Braid, Limbo, Fez), TWA é claramente o pior deles.

      Eu também meio que me arrependi de comprar pois comprei ele no PSVita, só para ele logo depois sair em um Humble Bundle

  3. Ed Shemp disse:

    Vim ler o post só pq a imagem do facebook era do Eat Lead, o melhor jogo muito cú da história.

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