J-View: Shining Blade

No Episódio Anterior: Um dos RPGs de video-game mais classicos e queridos no japão tem sua fraquia em perigo de ser extinta quando a Sega decide lançar um novo jogo da serie Shining Force para o PSP entitulado Shining Hearts. O jogo procurava ganhar dinheiro facil fazendo foco em garotinhas e elementos de namoro mais que no RPG em sí. O resultado foi catastrófico: gráficos horrorosos, sistema de batalha simplório e tedioso, character design fraco e uma história que era o plágio do plágio (Alundra + Tsubasa Chronicles = Tales of HEARTS). As vendas foram ruins, mas não importou muito pois o jogo foi barato pra fazer. O que acontecerá com a série?

E agora a continuação…ou prequel, sei lá…

Depois da vergonha que foi o titulo anterior parece que a sega quis manter apenas o character designer e entregar todo o resto nas mãos do time responsavel por “Valkyria Chronicles”. O resultado foi…FODA! O jogo é Ótimo em vários aspectos, mas antes de entrar em detalhes sobre eles, eu vou explicar o que foi o “Hearts” e porque eu falo mal dele com tanta enfase. Esse pequeno check list deve ajudar a entender o porque você deve se “empolgar” logo nos primeiros minutos desse jogo:

Shining Hearts:

  • Inicio: Heroi começar com amnésia na praia e vai trabalhar numa padaria
  • Heroi: Mudo e sem personalidade
  • “Heroinas”: São 3 garotas, com a mesma personalidade, voz e rosto, cada uma representando um feitiche diferente. Elas não coexistem, você escolhe a “roupa” que ela vai vestir e o resto segue exatamente igual para qualquer outra coisa no jogo, independente de sua opção.
  • Primeira Missão: Ver um longo tutorial sobre como fazer pão e depois sair pela floresta para entrega-los
  • Batalha: uma especie de batalha de turnos com os elementos de tactics com movimentação em grid e graficos em SD pre-rederizados que não lembra em nada o estilo de jogo dos classicos.

Ok! Chega de falar sobre esse jogo, é uma parte da minha vida que eu estou tentando enterrar junto com minhas revistas em quadrinhos que fiz quando criança.

De volta para Shining Blade!

Estória

Reiji é um japonês adolecente que foi invocado para o mundo de Endias pela sacerdotiza Roselinde e foi entitulado como héroi lendario por ser capaz de usar com perfeição a espada espiritual Yukihime. Ele se adapta muito bem a sua nova vida, seus novos amigos não entendem japones e por isso passam a chama-lo de “Rage” por engano. Os dias passam enquanto Rage melhora suas técnicas, recebe sabios conselho da cait sith Rin-Rin e cria um romance com a jovem sacerdotisa, até que surge o império de Dragonia, que ataca o palacio, sequestra Roselinde e quase mata nosso herói.

Rage acorda dias depois em uma praia do pais de Fontina onde ele é socorrido por uma elfa de cabelos prateados chamada Altina, ele passa alguns dias recuperando as forças enquanto ajuda sua salvadora a proteger a floresta de centauros-cavaleiros-negros de Dragonia e impedi-los de invadir a vila.

Ao salvar uma garota chamada Elmina de ser atacada, Rage descobre através dela que um exército está sendo formado no reino de Shildia e convence sua nova amiga élfica a partir junto com eles para contra-atacar o império (referencia não-intencional).

Isso parece muito, mas é tudo passado para o jogador na primeira meia-hora de jogo que forma o primeiro capitulo. Isso porque o ritmo do jogo é muito bom, sempre te passando novos elementos pra evitar que você canse da estória.

Apesar disso a trama principal do jogo é um dos seus pouco ponto fracos, isso porque o plot tem a mesma estrutura de muitos outros jogos de fantasia medieval: caras do mal querem ressuscitar um antigo mal que havia sido selado por um antigo herói, e para isso, fazem várias maldades pelo mundo a fora. Só o herói adolescente pode impedi-los, e, dessa vez, não apenas selar o mal novamente mas sim destrui-lo definitivamente.

O que torna até mesmo essa estória clichê em algo interessante são seus personagens.

Personagens

O characters Design é novamente feito pelo artista japones Tony Taka, mais famoso por seus trabalhos mais…adultos…

O que importa é que seus desenhos são belissimos e seus personagens são muito estilosos.

Os personagens são realmente um dos pontos mais fortes deste jogo, é realmente ótimo que o capitulo 10 seja especialmente reservado para epilogos, porque você vai ficar com vontade de saber mais sobre seu personagem favorito ao final do jogo.

Apesar de não parecer, isso é um jogo Tactics, e como todo jogo do gênero, tem uma pá de personagens! Falar sobre cada um seria um saco, então vou falar apenas dos principais encontrados nos primeiros dois capitulos do jogo:

-Rage

A primeira vista parece um garoto empolgado, barulhento e atrevido, mas logo mostra que sempre pensa antes de agir, e sabe respeitar e admirar seus superiores. Sua gentileza e carisma fazem ele merecer a popularidade que tem. Em alguns momentos ele consegue ser até mesmo sábio.

-Yukihime

Um espirito ancestral extremamente poderoso que desejou se tornar uma espada magica para ser usada por um lord de um pais para trazer a paz de volta. Ela admira muito seu antigo senhor e até mesmo queria que Rage fosse igual a ele, porem, ela percebe que os dois são diferentes quando Rage começa a trata-la como mulher.

-Rin-Rin

É uma gata mistica que pode falar e tomar forma humana. Ela costuma ser muito sabia e faz o papel de mentora de Rage, mas, por algum motivo, ela muda totalmente de personalidade assim que se transforma em humana, se tornando uma garotinha empulsiva e mimada. As duas são tão diferentes que a Rin-Rin gata explica para Rage que sempre conversa com ele na forma de gato pois sua forma humana é tão mente-simples que ela pode acabar se apaixonando por ele por causa de qualquer besteira.

-Altina

Uma princesa elfica com um forte senso de responsabilidade para com seu povo. Ela é encarregada de proteger a floresta prateada. Sua cultura elfica de nunca confiar em humanos entra em conflito com a amizade que ela cria por Rage, o que a torna uma “Tsundere”. UAU! Uma Tsundere que faz sentido! Isso é raro.

-Elmina

Uma mensageira do reino de Lumbell, ela carrega informações vitais sobre os pontos mais importantes do enredo e a missão principal da estória, pena que ela é uma garota desastrada, avoada e medrosa! Karaka! Seja lá quem argumentou que estava tudo bem em contrata-la contanto que ela seja uma gracinha estava totalmente certo!

-Fenrir

Um Lobisomem-Kung-Fu-Assassino…Não! Isso não é filme da Sessão da Tarde. Fenrir é o sub-capitão das forças de Shildia e tem apenas dois objetivos na vida: Por um fim à guerra e matar aquele que assassinou seu mestre, o outro dicipulo de seu mestre e seu irmão de treinamento! Mais uma vez: não é Sessão da Tarde! …Mas eu assistiria esse filme se fosse!

-Sakuya

Capitã do exército contra Dragonia, ela é a pessoa mais poderosa, misteriosa e influente do mundo, é mestre de todos os protagonistas dos jogos atuais, além de ser uma especie de entidade responsavel pelo equilibrio do mundo, ou algo parecido…

Gameplay

A primeira coisa interessante a se notar é que eles tentaram mudar os botões de cancelar e confirmar de acordo com o sistema do portatil. Isso é algo que parece besteira, mas que enloquece alguns que estão acostumados com os jogos dos EUA, pra mim isso é ótimo, eu só tinha visto isso em lançamentos internacionais para console, como o primeiro BlazBlue ou o Star Ocean 4 do PS3. O unico problema é que os menus e tutoriais não se ajustam à isso, o que significa que você que usa um PSP americano vai ver o jogo te mandar apertar “O” para fazer algo e você cancela isso pois não apertou “X”, confusão não?

Na parte de “exploração”, você não pode andar pelo mapa, podendo apenas escolher os icones que representam a proxima cidade, batalha ou missão que você que entrar. Quando você entra na cidade, você tem uma exploração limitada por uma cidade de tamanho médio, onde a camera é automatica e você pode conversar com figurantes para procurar sub-missões, comprar itens ou falar com seus aliados para dar ignição à eventos especiais que aumentam seus pontos de relacionamento com eles e geram cenas divertidas.

Quando entra a batalha é que fica realmente interessante! O notável deste jogo é que ele não apenas supera o sistema de luta do seu antecessor, como também supera o sistema do seu primo distante. Este jogo usa uma versão modificada do BLiTZ system de Valkyria Chronicles, mas alterado de tal maneira a ficar mais pratico, intuitivo e dinamico.

Qual era o problema do sistema em Valkiria? O tempo! Ele era demorado, complicado, dificil e impiedoso. Você tinha que fazer uma estrategia complexa para ganhar batalhas supostamente fáceis e, no caso de algum erro, seus planos iam todos por água abaixo. Para isso o jogo deixava você salvar durante qualquer parte da batalha, pois era extremamente facil você falhar. Valkiria usava um sistema de mira, onde você demorava mirando na parte mais fragil do seu alvo e tinha 50% de chance de acertar no minimo 1 tiro de 40 disparados por uma metralhadora a cada ação. Complicado? Significa basicamente que era extremamente raro para você matar um alvo em apenas uma ação, mesmo mirando na cabeça, mas o inimigo não tinha esse problema, ou seja, a cada falha, você perdia uma unidade vital para sua extratégia, e se ele morresse, ele morria mesmo e nunca mais voltava, a não ser que você despachasse uma unidade para resgatar o abatido, o que significa mais um ponto de ação e tempo gastos desnecessáriamente. Entendeu? Eu não!

Todas as mudanças no sistema de Blade são geniais pois foram feitas para resolver esses problemas e ao mesmo tempo acrescentar mais ao fator de extratégia.  Você tem apenas 5 unidades ao inves das 8 em Valkiria (quantidade desnecessaria, que só servia pra gastar mais tempo). Por causa de suas Skills únicas, cada unidade pode fazer um pouco do papel de outra. Ao se locomover, você pode “puxar” seu colega proximo ao seu personagem, movendo dois personagens ao mesmo tempo, economizando tempo e fazendo que unidades que se movem pouco possam “pegar carona” com uma unidade que anda muito e chegar mais longe, o problema é que os dois serão acertados juntos por ataques de inimigos. Ao atacar um inimigo, você não precisa mirar em um ponto minusculo e distante, ja que a maioria dos ataque são de perto, e mesmo quando são ataques a distancia, você tem uma chance de 95% de acerto (é serio, é muito raro você errar um ataque neste jogo), lembrando que o mesmo vale pro seu inimigo. No fim do dia, para finalizar uma batalha simples que você já tinha ganhado antes em Valkiria Chronicles, você gastou cerca de 1 hora, em Shining Blade, ganhando uma batalha complicada e inédita, você gastou 10 minutos. Parece sacanagem não é?

Musica

Geralmente uma parte que poucos jogadores prestam atenção. Mas eu reparo nestes detalhes por que eu quero aparecer!

O compositor se chama Hiroki Kikuta e seu passado negro envolve ter trabalhado em Shining Hearts, mas ele também escreveu a musica para a série original de Secret of Mana então vamos todos louva-lo!

A musica deste jogo curiosamente lembra muito Valkiria Chronicles, com tons militares, geralmente envolvendo batidas seguidas de cornetas, é um tanto exotico ouvir isso em uma fantasia medieval mas não chega a ser o Queen em Coração de Cavaleiro, ou seja, a musica combina com o cenário.

A trilha sonora deste jogo também está repleta de faixas cantadas, isto por causa de um elemento do jogo onde algumas das garotas cantam musicas misticas para fortalecer seus aliados. Essas musicas não são tão “misticas” assim, nem ao menos exóticas, e elas podiam ser algo mais proximo da trilha épica de Ar Tonelico que passa esse clima muito bem, mas, ao invés disso, todas as musicas com vocal são J-POP, e essas faixas não mesclam muito bem. Ao menos tiveram a decência de contratar dubladoras que também sabem cantar bem, já que são elas mesmo que cantam para suas personagens no jogo. Mas por que fazer isso afinal? Para ganhar dinheiro vendendo um CD separado da trilha sonora normal só com a trilha vocal, que custa mais caro por causa da participação das dubladoras famosas. Espertos!

Gráficos

Os designer do jogo certaamente capricharam em fugir do velho e chato menu monocromatico e quadrado encontrado em 90% dos jogos por ai. Da pra notar que tudo é decorado com traçados de flores, folhas, galhos e outras plantas espalhadas nas caixas de dialogos, tela de status  e até mesmo na tela título, alguns tem efeito de sombra, outros tem efeito de neon, como o menu principal, que tem uma flor de cada espécie com cores em neon diferentes para cada opção, o que da um estilo muito art nouveau para tudo…em fim: É muito bonito!

As cidades são apenas 5, mas cada uma é bem diferente da outra, com suas culturas, moradores e musicas de fundo distintas. É legal notar que eles se importaram em nomear todos os figurantes de cada cidade e tornar cada um deles diferente do outro, você nunca encontra um figurante igual ao outro, alguns deles tem até sua própria estória e rotina(talvez todos tenham, eu não tive saco de checar todos eles), o que vem ao caso é que você percebe o trabalho que eles tiveram com esse jogo.

Durante as batalhas você é despachado em um cenário poligonal imenso e aberto, as vezes até mesmo mais de um cenário rodando ao mesmo tempo, onde você tem que dividir seus times. O nível de detalhe nesses ambientes são muito bons para um portatil. Mas é durante os zooms e angulos dinamicos de camera da batalha que você tem a oportunidade de examinar o modelo 3D de seus personagens com mais cuidado. Eles são realmente bem construidos e também possuem um nível de detalhe impressionante, se aproximando muito do estilo nas artworks oficiais de Tony Taka

Bem, então é só tudo isso, esse jogo esta excelente e seria ótimo se ele viesse para os States para que um publico maior o conhecesse. Se o jogo tem algum defeito, seria talvez o fato dele se tornar fácil até de mais, ou de como eu achei ele curto, (cerca de 30 horas fazendo todas as quest opcionais que haviam no jogo). para terminar isso de um geito diferente e não conclusivo, vou fazer uma lista de trivias sobre a serie Shining!

  • Quando Shining Hearts foi anunciado, uma tradução mal-feita da materia na revista japonesa fez os fãs gringos pensarem que as 3 heroinas coexistiam e eram irmãs do protagonista, o que tornaria o jogo uma festa incestuosa! Como alguem pode se confundir tanto com uma tradução?
  • Apesar de tudo, Shining Hearts esta ganhando um anime neste abril! Não assistam!
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Sobre Benedict

A ovelha negra. Perdeu sua alma quando resolveu seguir o caminho do mal e unir forças com os jogos nipponicos. Durante um ataque dos EUA, por pouco escapou de se tornar um FPS, porém, um de seus olhos foi permanentemente transformado em uma mira laser.
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3 respostas para J-View: Shining Blade

  1. Pingback: Comic-Online » Shining Erotic Book

  2. Apolo B. Lima disse:

    Ah, se eu tivesse PSP… -q
    Hey, pessoas, sugestão pra vocês (a não ser que sejam androids >_>): criem uma seção pra postar joguinhos online, bons pra passar o tempo. Ou, se alguém quiser, me manda algum link, porque o tédio tá tenso… Enfim, vocês são fodas

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