Remember Me

Remember me

Esse não tem sido exatamente um bom ano pra mim… Não digo na área games, na área blog mesmo. Pré comprei Remember me pra gravar um video de review maneiro pra vocês e então veio a apresentação do meu artigo na facul. Aí veio a E3. Aí veio minha semana de provas. Aí eu fiquei doente. Não tem como eu gravar porque mal tenho voz nesse momento… Então, como o jogo já tá é ficando velho, vou ter que fazer a review em texto mesmo. Não é bem o que eu queria, mas esse ano ainda tem muito jogo bom por vir, vamos torcer pra tudo ser mais tranquilo no próximo  :/.

Remember me foi cotado por muitos como um dos jogos mais esperados do ano, inclusive por mim. Mas, ao invés de me empolgar com os gráficos e jogabilidade do game, o que me interessou de verdade foi a premissa. Um jogo passado em um futuro em que as pessoas levaram o Facobook longe demais e resolveram compartilhar suas memórias de maneira literal. E isso torna-se perigoso quando pessoas com a capacidade para roubar e, até mesmo, modificar essas memórias começam a agir. Obviamente é um cenário propício a uma estória intrincada e cheia de reviravoltas, onde ninguém sabe bem o que pode ser verdade ou não.

Tipo, você entende a minha preocupação quanto a humanidade indo ALÉM do Facebook, certo??

Tipo, você entende a minha preocupação quanto a humanidade indo ALÉM do Facebook, certo??

A protagonista é Nilin, uma jovem memory hunter que possui o poder de alterar memórias alheias ao seu bel prazer. Não apenas isso, ela é também um exímia lutadora e praticante de parkour. Honestamente, gostei de Nilin bem mais que esperava. Não vi nada em trailers que me convencesse a ser otimista com ela, mas a personagem é bem legal. Diferente da Lara em Tomb Raider, Nilin é uma personagem experiente, embora não se lembre de tudo do que é capaz. Com essa experiência vem confiança e credibilidade. Ela soa como alguém que sabe o que faz em boa parte do tempo, usando seu poder e suas habilidades para sair de situações que até John Matrix duvida.

Não, sério, se você não conhece John Matrix, assista comando para matar, por favor

Não, sério, se você não conhece John Matrix, assista comando para matar, por favor

Também ajuda o design dela ser bem agradável. Nilin não é nada feia, mas também não é uma bolha Moe, fazendo mais o tipo atlético que suporte-de-peitos-balançantes ambulante. Combina bem com alguém que faz tudo o que ela faz. Infelizmente, ela ainda sofre do mal de protagonista que faz o que a voz em sua cabeça manda mesmo quando essa voz soa questionável. Alguém com personalidade, como ela demonstra em vários momentos no jogo, podia ser mais veemente na hora de contestar Edge sobre a parte moral de seus planos, em até onde eles devem ir para alcançar seus objetivos, mas enfim, o enredo precisa andar…

Nilin

Mas a opinião que tenho sobre Nilin melhora muito após conhecer melhor seu passado. O enredo do jogo não é fantástico, segue bem por onde pode-se esperar pela maior parte do tempo, mas é consistente. E o passado da protagonista é um pouco forçado, mas eu particularmente gostei, principalmente da família. No quesito twists, o jogo tem os seus, como era de se esperar, e achei bem feito. Nada que vá explodir sua cabeça, mas você provavelmente não vai se sentir como se tivesse visto A Vila.

A parte gráfica é agradável. Infelizmente tive alguns problemas de framerate em partes, mas tenho forte impressão que era culpa do FRAPS. Os modelos são bem feitos, a movimentação é ótima, principalmente nos combates e os desings são, em sua maior parte, criativos. O som também me agradou, tanto em músicas quanto, principalmente, em vozes.

Agora, o ponto forte desse jogo mesmo é o gameplay. O sistema de combos de Remember me é extremamente divertido. Basicamente, você gasta horas literalmente montando os combos que Nilin pode usar, ordenando seus ataques. Cada ataque tem um tipo de bônus: mais dano, recuperar hp ou diminuir cooldown das habilidades especiais. Quanto maior o combo, mais bônus seus ataques finais vão conferindo. Tipo Batman, inimigos tentarão te atacar para quebrar combos que você esteja aplicando nos aliados deles. Mas aqui, ao invés de contra atacar qualquer ataque com um botão, você precisa esquivar pulando por sobre os caras pra prosseguir enchendo eles de porrada com a mesma sequencia. Simples e divertido.

E sim, esse aí sou eu jogando.

Espero que a Dontnod faça mais jogos com esse sistema. A premissa das memórias foi o que me atraiu a Remember Me e talvez outro gênero o usasse melhor, mas eu particularmente ficaria satisfeito em mais stealth, tipo um DeusEx, com esse mesmo combate.

Mas as vezes tem algo no meio que é uma merda....

Mas as vezes tem algo no meio que é uma merda….

Ok, tá parecendo que Remember me é perfeito né? Mas não é não. Vamos aos contras. Sabe esse sistema de modificar as memórias que eu tanto falo? Esse que tem um video próprio só pra mostrar como usa? (Video que resolve um dos eventos do jogo) Bem, o Benedict me disse que, para isso funcionar como eu queria em um jogo de ação, mudando os caminhos do enredo e sendo possível de fazer diferentes reações aos NPCs, seriam no máximo uns quatro eventos no jogo. Eu concordei, dificilmente seria assim… não na quantidade que teria nesse jogo.

danger

Eu mudei exatas 4 memórias durante a estória toda. E ERAM eventos com uma única solução. Ok, apesar da minha decepção óbvia, devo admitir que como metade dos eventos de mudança de memória são eventos fundamentais e de muito impacto, talvez o excesso anterior pudesse acabar diminuindo a eficácia deles. Mas porra… Só 4?

Além disso, o jogo é extremamente linear. Não há nada pra explorar. Novamente, o mesmo trailer mostra Nilin agindo furtivamente pra passar por uns caras. Nada assim acontece no fim das contas. Você avança em um semi corredor e derrota inimigos no caminho. Faz o que o game manda e pronto. Esse jogo ganharia imensamente se tivesse feito um mini-Sandbox a lá DeusEx. Você teria mais oportunidades para usar os ótimos sistemas, resolvendo missões extras para aproveitar mais do jogo. Ora droga, Remember me me durou 7 horas! Foram exatos R$14,00 por hora de jogo, com zero de replayabilidade. Pelo menos até surgirem DLCs safados.

Capco

O sistema de combo é divertido, mas tem um sério problema. Você não passa o combo de um inimigo pro outro só de atacar pro outro lado. Mentaliza. Você não passa o combo de um inimigo pro outro atacando-o, em um jogo que o combate é basicamente um combofest. AAARRRGGHH!!! Tem que usar a esquiva pra mudar de alvo sem quebrar a sequencia! E sabe o pior? O combo mais fajuto do jogo é o maior. Por que? Porque você não consegue finalizar ele! O cara sempre morre antes. Só acertei esse combo completo em chefes. Qual o mistério de fazer o próximo ataque acertar no cara do lado? DMC faz isso desde sempre! Esse sistema é legal, mas só por isso foi de um dos mais divertidos ever pra o mais cockblock dos games…

Finalmente... acertei... o...combo...

Finalmente… acertei… o… combo…

E os chefes… as batalhas de chefes são legais e imaginativas, mas… olha a união da desgraça… Minions E Quick Time Event… o mais legal é que tem chefe que só é acertado pelas habilidades especiais… aí entra um Quick Time. Se você errar, não basta a brochação, ainda vai ter que ficar fazendo combo de diminuir Cooldown nos minions antes de ter outra chance de sequer dar uma porradinha no boss de novo. Saco, porque pessoas não aprendem a fazer chefes divertidos e que se garantem sozinhos. Eu odeio minions! E quick time não é pra ser videozinho interativo de matar chefão.

Já disse que ODEIO chefes que se escondem atrás de minions??

Já disse que ODEIO chefes que se escondem atrás de minions??

O final precisava de um epilogo melhorzinho também. Não vou falar muito sobre o porque de algumas coisas que Nilin deixa como ponta solta deviam dar merda após o fim do jogo, evitando spoilers e talz, mas, sério, e a Olga? Vai ficar por isso mesmo?…

E agora o maior problema de Remember me. A terrivel câmera. Meu problema não é o quanto ela fica próxima, mas como o cenário fode tudo. Esse jogo tem cenários apertados demais e a câmera não funciona com eles. Quando você se aproxima de uma parede, a camera se aproxima de você, aí os inimigos que vão te encher de porrada somem. Assim começam todas as mazelas da raça humana… Sério, ninguém testou essa droga pra ver o óbvio não? É impossível não passar por isso de vez em quando… e quando acontece, aquele sistema de combate legal e divertido vira a maior frustração possível. Espero que a Dontnod aprenda que ver o jogo é meio importante pra poder jogar…

Quase vejo o que está acontecendo....

Quase vejo o que está acontecendo….

Sério, os caras podiam ter feito um jogo pra concorrer a jogo do ano, bastava terem sido mais gananciosos e criado um cenário pra você explorar entre missões, umas missões opcionais e explorado melhor o mundo tão interessante que eles parecem ter pensado. Além de dar às habilidades de Nilin mais em ênfase no desenrolar do enredo, dando ao jogador uma ferramenta poderosa pra moldar o estória. Ah, e claro, ter concertado as batalhas. Se o sistema de combate não te deixasse chupando dedo no melhor do combo ou completamente às cegas quando chega perto das bordas dos cenários desnecessariamente claustrofóbicos, seria excelente.

Fico triste pelo potencial que Remember Me tinha. Ficou com aquela sensação de “eu queria gostar mais desse jogo”. Tudo poderia ser resolvido em um ótimo Remember Me 2, só me resta esperar que a Dontnod faça no seu próximo jogo o produto que eu acredito que eles são capazes. No geral, recomendo que você jogue, mas com resalvas. Se você tem um videogame, alugue. 7 horas, qualquer gamer que se preze resolve em um fim de semana. Se você vai jogar no PC, como eu, espere uma promoção da Steam. 90 reais é demais, mesmo eu tendo gostado do jogo.

hum… Bem que a Capcom podia por a Nilin no MVC.

Ou talvez outro Wolverine. É, certamente mais um Wolverine...

Ou talvez outro Wolverine. É, certamente mais um Wolverine…

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Sobre Ed Shemp

Mais um dos garotos perdidos que descobriu que o sentido da vida é um filme do Monty Python.
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