J-View: Black ★ Rock Shooter: The Game

Existem certas coisas que devem sempre se manter as mesmas para agradar os fãs. Caso alguém experimente novas idéias, as tempestades de reclamação não irão deixá-lo em paz. Isso acontece em todo lugar em níveis diferentes. Acontece com franquias mundialmente famosas como Zelda, acontece no mundo dos doujins  com Touhou e acontece com Black Rock Shooter também. A diferença crucial é que, no caso dos outros nomes mencionados a pouco, a estória original fornece um universo amplo e, através desse, inúmeras novas estórias podem surgir. Tudo que você precisa manter são alguns elementos básicos que a fanbase não irá chatear ninguém. Esso não é o caso de Black Rock Shooter.

As coisas são mais difíceis com BRS devido a estória vaga ou simplesmente nula que a franquia tem. O que se sabe é que Black Rock Shooter é uma misteriosa garota que vaga por um mundo em ruínas, as vezes a pé, as vezes de moto, enquanto carrega uma katana e um canhão. Ela ocasionalmente briga com outras garotas góticas com nomes estúpidos como a Dead Master e a Black Gold Saw, tudo isso enquanto escuta uma música da cantora sintética Hatsune Miku. Por que? Porque isso é importante!

A verdade é que tudo não passa de um AMV(animated Music Video) feito com ilustrações de um artista chamado Huke e voz do programa  “Vocaloid”, o que significa que para agradar os fãs você só pode usar um clipe musical como base de sua estória. o resultado disso é mostrado em um anime de 50 minutos lançado em 2010. Ele é confuso pois você não faz idéia de quem são as personagens e por que elas lutam, e lento pois ao meio disso você acompanha a vida banal de duas estudantes colegiais genéricas.

Resumindo: Para agradar os fãs existem os seguintes critérios:

1- Devem haver apenas garotinhas. Elas tem que ser inocentes e jovens, não se atreva a usar nenhum homem na estória, isso não agradaria aqueles que também são fãs de K-ON.

2- A estória de fundo para a personagem título tem que ser a mesma: Nenhuma! Isso facilita lidar com o fãs e facilita seu trabalho também.

3- Você deve usar o nome Black Rock Shooter para a personagem, ele é estranho mas os fãs gostam.

4- Como dito antes, a Musica da Hatsune Miku é importante, mesmo que a personagem tenha sido criada separada da musica e não junto com ela como muitos pensam.

Eis que veio a Imageepoch que teve a coragem de dizer FODA-SE pra tudo isso! e lançou este jogo:

Este jogo de PSP lançado mês passado literalmente ignora tudo da lista acima. Ele inicia ao som da musica NO SCARED da banda de rock ONE OK ROCK, onde BRS luta contra robôs em uma belíssima animação, feita pelo estúdio UFO Table, o que já serve pra empolgar muitos logo no inicio.

O jogador controla uma clone criada para ser um super soldado em um futuro devastado por um ataque de máquinas alienígenas que devoram coisas para assimilar seus conhecimentos e poderes. A heroína é a ultima esperança da humanidade, que foi reduzida a uns poucos sobreviventes. Os sobreviventes encontram uma outra garota que revela ser uma aliem do tipo-A, que absorveram mais conhecimentos e evoluíram para uma forma humanóide. Com a ajuda da super soldado as forças humanas finalmente conseguem derrotar um dos aliens mais poderosos, porém, a grande salvadora tem a inocência de um bebê recém-nascido, o que se torna um perigo na hora de seguir ordens no campo de batalha. Para se adaptar mais ela tenta conhecer melhor seus companheiros da pequena tropa que a despertou, o que é difícil as vezes pois ela é a única garota por perto e todos são homens adultos. Com o tempo ela descobre que seu nome é Stella e ela começa a se comportar cada vez mais como uma garota normal, até mesmo começando a desenvolver sentimentos por um soldado chamado Roscol.

Agora que Stella tem um motivo para lutar, ela tem um exercito de aliens para derrotar e uma centena de mistérios que faltam ser resolvidos.

A jogabilidade tem elementos de RPG, mas não sei se este jogo se classificaria como um. Os combates tem início ao encostar em inimigos espalhados no mapa, mas o sistema tem elementos de um shooter em 3ᵃ pessoa com breves animações para habilidades especiais. Ganhando batalhas você ganha pontos de experiência e sobe de level ao acumular muita experiência, mas não há muita diferencia de um level para outro. O que deixa a personagem mais forte é uma série de conquistas chamadas Records, cumpra certas condições e os Records liberados lhe darão novos ataques e bônus em atributos. O jogo não possui uma navegação ao estilo RPG e tem mais em comum com jogos de ação, com o jogo sendo dividido em fases e missões com uma batalha de chefe no final de cada area.

É nesta hora que The Game começa! Isso porque o “The Game” no título na verdade se refere a uma luta até a morte realizada pelos aliens onde o derrotado tem seus dados devorados pelo vencedor. Essas batalhas tem um apelo cinematográfico nelas, pois cada chefe é bem único e a animação dos seus ataques são lindas. Mais uma vez este jogo se aproxima mais de um action, pois essas batalhas são difíceis mas cada chefe tem um padrão que, assim que se acostuma, torna fácil derrotá-los.

Você não encontra nenhuma outra garota dos AMVs neste jogo, mas elas não fazem falta pois os novos personagens deste jogo foram criados pelo criador original da personagem e todos eles são no mínimo mais interessantes que as antigas garotas. O nome Black Rock Shooter nunca é usado pelos personagens do jogo para identificar a protagonista, o que é um alivio, seria difícil levar a sério alguém com esse nome longo e sem sentido. A estória tem certos momentos engraçadinhos, com a protagonista descobrindo o mundo, mas geralmente o clima é bem sério e surpreendentemente adulto. Cada um dos companheiros de Stella tem personalidade distintas e interessantes.

Os únicos defeitos do jogo ficam por conta da sua duração. Mesmo completando todas as missões extras (que são muitas), ele não deve durar mais que 20 horas, algo muito curto para um RPG mas aceitável no caso de um Action game. Eu também não gostei muito do final do jogo, mas, além de ser apenas minha opinião pessoal, também é spoiler.

 

Este é um jogasso, muito divertido e com ótima estória e gráficos. Por enquanto ele está apenas disponível em japonês, mas em breve a Nipon Ichi da América pretende lançar uma versão nos States,  e quem curte ação e animação japonesa vai adorar!

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Sobre Benedict

A ovelha negra. Perdeu sua alma quando resolveu seguir o caminho do mal e unir forças com os jogos nipponicos. Durante um ataque dos EUA, por pouco escapou de se tornar um FPS, porém, um de seus olhos foi permanentemente transformado em uma mira laser.
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